Saíu o abbade, e, passados instantes, entrou na aula, precedido de uma rapariga.

Aproximou-se da mesa e disse:

—Põe tudo aqui em cima, Josephinha. Assim. Agora vai-te embora.

A pequena poisou uma panella de folha, e tirou debaixo do avental um gallo preto. O abbade metteu o gallo dentro da panella, cobriu-a com o testo, e principiou assim:

—Fez-se um grande peccado! Roubaram um lapis! Quem rouba um lapis, é muito capaz de roubar tudo! Meus filhos, um de vós commetteu o crime; e não o confessa por vergonha. Ora, por causa d'aquelle que roubou os lapis, vão padecer todos os mais. Ahi teem! Em vez de só fazer um peccado, que Nosso Senhor lhe perdoava, se o confessasse e se arrependesse, vae commetter muitos: faltar á verdade, que é tão feio, e depois deixar que os outros soffram injustamente.

Os pequeninos ouviam o abbade com religiosa veneração.

O abbade proseguiu:

—Hão de vir todos, cada um por sua vez, pôr a mão sobre esta panella. O gallo preto ha de cantar logo que sinta sobre o testo a mão criminosa do que roubou o lapis. E fica assim conhecido o ladrão; o sr. mestre Joaquim ha de castigal-o, e eu não o quero ver mais. Ora, torno a dizer, se confessar está perdoado.

Na aula, silencio profundo.

—Nenhum se accusa?—disse o abbade.—Venha o numero 1.