—É correio, é—confirmou elle com um aceno affirmativo.
E, pondo-lhe a mão no hombro, disse-lhe adeus até logo, correu de novo o ferrôlho, e tomou á direita, pelo carreiro de um milharal, caminho do correio.
* * * * *
Não se imagina o que é a chegada do correio a uma aldeia qualquer do
Minho! Cartas dos filhos ausentes!
Que anciedade em vêr realisadas as esperanças e…
Deixemos estas considerações, e relatemos os factos.
D'aquella mesma porta, vinte annos antes, sahira uma vez a tia Anna, ainda forte, robusta e sadia, para acompanhar ao Porto o seu querido e unico filho, que teimou em embarcar para o Brazil. O homem da tia Anna não se oppoz.
—Deixa-o lá, mulher—disia-lhe elle—se o rapaz tem inclinação, em Deus o ajudando, melhor amanhará a vida por lá do que por cá. Elle sabe lêr, elle sabe escrever, elle sabe contas, está mesmo a calhar.
—Ai! meu rico filho—soluçava a pobre mãe, a chorar, com o rosto escondido no avental.
—Não chores, mulher. Partir, tinha elle de partir, mais hoje, mais ámanhã. Eu que o mandei ao mestre, não foi para ficar na lavoura. Assim com'assim tanto monta estar o rapaz n'uma loja no Porto, como no Brazil. Vem a dar na mesma.