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Na tarde d'esse mesmo dia, quando os ultimos raios do sol poente purpurisavam a cumiada das montanhas, e pelos respaldos dos outeiros vinham descendo as sombras esfumadas do crepusculo, voltavam ambos para a Izabellinha.

Sentavam-se repetidas vezes na orla do caminho, a fingir que a distancia os fatigava! Permaneciam silenciosos durante alguns minutos, um ao lado do outro, com os olhos esmorecidos e roxos de chorar.

Mas o homem, quando via rebentar as lagrimas nos olhos da mulher, fazia-se forte, continha a commoção, e dizia-lhe baixo, a sorrir contrafeito, acotovellando-a d'esguelha:

—Então, ó Anna! Ai! que já não tenho companheira para as romarias!

E era triste vêr então aquelles dois velhos seguirem para a sua aldeia, a pé, cabisbaixos, a suspirarem de quando em quando, com o coração retalhado pela mais cruel das decepções!

O SERMÃO

Era um dia de festa e de grande romaria.

Desde madrugada, que eu estava debruçado no muro do meu quintal, á sombra de uma acacia, onde trinava um rouxinol, para ver passar os romeiros, que se dirigiam, em bandos, para o arraial.

Antes de chegar ao adro, passava-se por dois arcos de murta com flôres, dos quaes pendiam bandeiras e galhardetes de côres garridas.