E a voz trémula embargou-se-lhe na garganta suffocada pelas lagrimas!
—Mas que canção é essa que a faz entristecer?—perguntei eu.
Era uma canção popular, com que a mãe da Consuelo embalava nos braços a
Conchita, quando era ainda muito pequenina:
En un ameno bosque
Mi niña duerme,
Cuidado, pajarillos,
No se despierte.
Antes tres dias de partir a companhia para Sevilha, eu e uns amígos offerecemos a Consuelo um jantar, no campo, debaixo d'uma ramada.
Era pelos ultimos dias de maio.
Tinhamos partido de madrugada, emquanto as gottas do orvalho tremeluziam nas encostas floridas, para fugirmos ao calôr intenso do meio-dia.
A verdura tenra dos prados ondulava serenamente á mercê da viração fresca da manhã.
Quando a estrada costeava o sopé d'uma colina, nós saltavamos da carruagem e seguiamos então a pé, cortando a eito pelos atalhos, atravessando por meio de campos de milho e de extensos trigaes, abrigados pela sombra das carvalheiras, onde chilreavam os pintasilgos e rouxinoes.
Ás portas dos curraes encontravamos ainda as vaccas sahindo pausadamente para o pascigo. Na residencia do sr. abbade via-se o muro do passal coberto de trepadeiras; e por baixo do peitoril d'uma janella, n'uma gaiola de canna pendurada na parede, assobiava um melro.