Consuelo ia encantada!

O ar fresco, puro e sadio do campo abria-lhe appetites selvagens e contraditorios.

Ás vezes desejava ser como o boi manso, que vae pastando tranquillamente, n'um bosque, á beira d'agua corredia; outras, então, queria antes ser como a pôtra que se avistava, ao longe, n'um extenso prado, correndo, com as crinas esparsas, aos pulos, sobre os giestaes floridos!

Ao passar pelos silvados, Consuelo colhia as amoras maduras, e comi-as com soffreguidão.

Ao cabo de um quarto de hora de caminhada, avistou Consuelo, no fundo d'uma ladeira, que descia para um pomar, uma cerejeira carregada de fructo.

—Cerejas!—exclamou ella.—Ai! eu quero cerejas!

Descemos todos ao pomar; e então eu, que era o mais aldeão, trepei pela arvore acima, até aos ramos mais altos.

Consuelo ficou em baixo para aparar as cerejas. Os primeiros dois pés que eu lhe lancei, collocou-os ella sobre o pavilhão dos ouvidos, como dois brincos. Ficavam-lhe como duas contas enormes de coral! Em seguida apanhou na ponta dos dedos a roda do vestido, á frente, e disse-me que atirasse para ali as cerejas que fosse colhendo.

—Lá vae, Consuelo!—gritava eu de cima!

—Venham—dizia ella.