—Hoje deita os rapazes todos a um canto! Olha, véstia nova, hein?!

E emquanto lhe diziam isto, uma ageitava-lhe a gola da jaqueta, outra laçava-lhe o lenço do pescoço!…

Quando conseguiu que ellas o ouvissem, o velhinho respondeu:

—Digam vocês á sr.^a morgada que hoje não vou lá.

—Como não vae, tio Simão? Dia de Natal e não ha-de ir? Isso tem lá logar!…

Elle então contou-lhes o que tinha havido.

—Ora, adeus. O Fiel o mais que tem é nada! É um mimalho, é o que elle é. Deixe que eu lá vou.

Entraram todas para ver o que tinha o Fiel. O cão estava deitado na enxerga do Simão, abafado com o cobertor da cama, a tremer.

Uma das raparigas tirou-o para fóra, enxugou-lhe o pello com geitoso carinho, embrulhou-o no avental e disse:

—Eu levo-o comigo, coitadinho!