—Só uma bisca, tio Ambrosio.

—Já disse—insistia elle, chupando o cigarro.—Nada; que eu bem sei como o jogo é. Uma comparação: é como quando um homem trepa acima d'uma cerejeira, que, em tirando por uma cereja, vem logo uma mão cheia d'ellas.

Os outros, que já lhe sabiam a balda, calavam-se. O silencio contrariava-o Precisava que insistissem, para assim desculpar a consciencia. Ao cabo de dez minutos, atirava fóra com a ponta do cigarro, e dizia:

—Com'assim vá lá. Mas só tres jogos, e arrumou.

Espevitava-se o morrão da candeia, cedia-se o logar respectivo, e então é que era vêr a partida.

O jogo corria silencioso até quasi ao fim; mas, depois, o tio Ambrosio, com as cartas abertas em leque na mão esquerda, e com uma carta levantada na outra mão, olhava de soslaio o adversario da direita, e principiava:

—Ora ponha-me aqui a bisca, ainda que lhe custe.

E batia com a carta sobre a meza de um modo triumphante.

O do lado jogava uma carta de trunfo. E o tio Ambrosio a tremer, irritado, com o punho cerrado suspenso sobre as cartas, supplicava ao jogador, que tinha defronte:

—Recorte, parceiro, recorte.