—Recorte—repetia o outro por entre dentes,—recorte o quê? olhe.

E jogava a bisca.

O Ambrosio, então bebia de um trago meio copo de vinho, e exclamava desesperado:

—As cartas teem o demo!

No fim perdia o jogo; e, como os adversarios renovavam o vinho, e elle enchia o copo que lhe pertencia, perdia o juizo.

Havia já muito tempo que lhe era difficil topar na terra um parceiro amigo para a sueca.

—Adeus!—diziam-lhe elles, encolhendo os hombros.—Quando você pega n'um baralho, até parece que lhe dá o trangulomangulo. Coisa assim!…

O vicio da jogatina passou-lhe ao cabo d'estes repelões; mas, por desgraça, foi procurando no copo a distracção que lhe faltava no baralho. D'ahi em diante, diga-se em abono da verdade, o tio Ambrosio só cantava e bebia.

Canta que logo bebes, diz o rifão.

Com o tio Ambrosio, porém, mudava o caso de figura. Bebia primeiro, bebia depois, bebia no fim; e desatava a cantar que nem um rouxinol.