Entrou, á frente, a Joaquina do Espinhal, seguida da mulher do Cosme. Ao principio, o morgado disse que não. Na sua opinião, quem faz os filhos que os crie. Elle não estava ali para remediar as poucas vergonhas do mundo. A Joaquina, porém, não desanimava; e, em quanto o fidalgo passeiava ao longo da varanda, obstinado no seu proposito, a mulher ajuntava supplica sobre supplica, e nas costas d'elle ia piscando o olho matreiro á visinha. Instado por fortes razões humanitarias, o fidalgo cedeu.

—Pois bem—disse elle, parando do seu passeio.—Eu irei ser o padrinho; mas uma de vocês que se encarregue de o criar.

O engeitado foi baptisado ás tres horas da tarde d'esse mesmo dia. Na sachristia o abbade, em quanto enfiava a sobrepeliz em frente do arcaz, lamentava que se tivesse dado aquelle caso na freguezia.

—Mas quem será o maroto do pae!—perguntava o fidalgo.

—Quem sabe lá, sr. D. Bernardo! Nem talvez a propria mãe! Isto hoje, meu senhor, o mundo vae todo assim!

D. Bernardo, quando se offerecia ensejo gostava de chalacear.

—Pois, abbade—replicou elle—pae tem a criança; salvo se ellas fazem como as egoas de Virgilio, lembra-se?

.......................et saepe sine ullis
Conjugiis vento gravidae (mirabile dictu!)

O pequeno recebeu na pia baptismal o nome de Simão. Foi o que occorreu á lembrança do padrinho, que tivera assim chamado outro afilhado, morto de meningite uma semana depois de baptisado.

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