Levantou-se a custo, estonteado por vertigens, que o cegavam. Sentia fogo no cérebro. Palpou a fronte, que escaldava.

Forcejou por caminhar, fugir. Durante meia hora arrastou-se a passos incertos, agarrando-se por vezes ás urzes do caminho para não cahir ao chão.

A região montanhosa da Beira Baixa devia denunciar-se já na corda sinuosa dos montes, no relevo macisso das serras.

Mas José Maximo não via, não podia olhar fito. Os olhos fechavam-se-lhe n’uma languidez nublosa, vidrada.

Iria cahir prostrado por um grande desfallecimento, quando avistou um pastor, sentado no alto de um rochedo.

Acenou-lhe com a mão, chamou-o. Depois sentou-se, recostou, exanime, a cabeça.

O pastor, vendo-o desfallecido, ergueu-o ao hombro, levou-o para junto dos penedos, que davam sombra a um trecho do monte. Deitou-o ahi.

José Maximo dormiu longas horas. Quando ao fim da tarde accordou, tinha sêde. Bebeu agua da cabaça do pastor. Reanimou-se. Sentia-se fatigado, mas a febre tinha diminuido.

Encarando então no perfil duro das montanhas, que se desenhavam ao longe, perguntou ao pastor que serra era aquella.