—Malvado homem, que nos metteu n’isto! diziam elles carpindo a sua propria desgraça.
Seriam dez horas da noite, quando chegaram ao Paul. Viram a cabana solitaria de um cantoneiro.
—Precisamos descançar aqui algum tempo. Se não fôr assim, disse Antonio Maria, o cavallo acabará por negar se. Vamos bater á porta.
Bateram. O cantoneiro perguntou quem era. Responderam que dois rapazes do Fundão, que pediam pousada. O cantoneiro, a quem aquella voz não pareceu extranha, accendeu a candeia, pendurou-a, e veio abrir.
—Aqui tens o nosso cavallo em penhor da nossa boa fé, disse Antonio Maria entregando-lh’o.
—Vou desapparelhal-o, respondeu o cantoneiro, e amarral-o áquelle pinheiro acolá.
—Não, replicou Antonio Maria, deixa-o estar sellado, mas dá-lhe umas sopas de vinho, se podes.
O cantoneiro foi preparar as sopas. Quando entrou, fez maior reparo nos dois viajantes, que já estavam deitados sobre uns molhos de palha sêcca, ao lado de um caldeireiro ambulante, profundamente adormecido.
A cabana do cantoneiro era um albergue de viajantes miseraveis.
—Mas não me engano! apostrophou elle, pegando na candêa, e elevando-a á altura dos olhos. Vocês são...