Antonio Maria poz sobre o nariz o dedo indicador da mão direita, intimando silencio.
Pouco depois da meia noite, José Maximo, que não pudera adormecer, rastejou sobre a palha para accordar Antonio Maria e o cantoneiro.
Sahiram os trez a desamarrar o cavallo.
—Aconteceu-nos uma grande desgraça, disse Antonio Maria ao cantoneiro. Não nos denuncies.
E, descalçando um dos sapatos, tirou d’elle dinheiro em papel,—um papel humedecido e rôto.
—Isso chega, disse José Maximo ao cantoneiro, para repartires com o caldeireiro o que elle entender que vale a sua ferramenta, porque a vou levar comigo. Dás licença, Antonio? Eu não trago dinheiro.
—Trago eu. Mas para que queres tu uma tão incommoda bagagem? observou Antonio Maria.
José Maximo não respondeu.
O cantoneiro prometteu guardar silencio: lembrou que conhecia os dois desde pequenos, e que por caso algum quereria perdel-os, visto ter-lhes acontecido uma grande desgraça.