—Se Vossa Reverencia me dissesse—Marcha, eu faria logo: Um, dois, trez.

E fingia marchar, pondo ao hombro um cabo de vassoura, á laia de espingarda.

No dia 20 de março andava frei Simão regando as flores do seu pequeno jardim; o Marques trabalhava no pomar contiguo.

Anninhas estava debruçada no parapeito do pateo, que sobranceava o pomar.

Na casa do Outeiro, uma atmosphera de perigos e sobresaltos cerrava-se ameaçadora em torno da familia Vasconcellos. A vida era ali mais triste do que nunca.

Depois que D. Miguel chegára, e dissolvêra as côrtes, os absolutistas de Cezár tinham levado a sua ousadia até ao ponto de propositadamente irritar frei Simão. Se não iam mais longe, se não tinham chegado ainda á provocação directa, era porque temiam a valentia do frade. Elles bem sabiam que frei Simão fôra uma vez a Macieira de Cambra, terra de valentões, castigar por sua propria mão um homem, que acintosamente lhe havia enredado um pleito de familia. Fôra, castigára o homem, e voltára incolume a Cezár. Como esta façanha, contavam-se outras. De modo que os visinhos absolutistas, apesar de espicaçados por Ignacio da Fonseca, não tinham passado ainda da provocação indirecta.

Por exemplo. Uma tarde passava frei Simão á Fonte da Pipa, perto do matto de Algiboa, quando uma voz rompeu a cantar ironicamente:

É certo, e mais que certo

D. Miguel ser nosso rei.

É certo, e mais que certo,