Que assim é que manda a lei.

Pareceu a frei Simão que era a voz do Manel Zarôlho. Parou logo, procurando descobrir a pessoa que cantava. Mas a voz calou-se, e o frade seguiu pausadamente seu caminho.

Eram prenuncios de tempestade imminente, que a ninguem da familia do Outeiro passavam despercebidos. A todos se antolhava ameaçador o futuro. Era visivelmente chegada a vespera de graves acontecimentos.

Por isso tambem Francisco Marques parecia agora, mais do que nunca, empenhado em desviar os tristes presentimentos e vagos receios, que pesavam sobre o espirito da familia do Outeiro.

Vendo Anninhas debruçada no parapeito do pateo, disséra jovialmente o Marques:

—Olha a minha menina como está tristonha! Pois antes das vindimas ha de estar mais alegre. Ó sr. frei Simão, por que será que chamam cabra ao sino que em Coimbra manda os estudantes?

Anninhas sorriu levemente.

—Como sabes tu isso? perguntou frei Simão.

—Foi o sr. José Maximo que m’o disse uma vez. Mas eu fiquei a scismar n’aquelle nome. Será porque os cinco annos dos estudos teem tantos espinhos como as silvas, que as cabras costumam roer?