Effectivamente, tinha sido assim.

Depois do sequestro, as freiras de Arouca, vendo a familia de José Bernardo razoirada ao nivel commum de todas as outras familias perseguidas por liberaes, perderam o respeito á filha do fidalgo do Outeiral a quem não poupavam allusões pungentes e irritantes.

D. Maria Henriqueta mandou dizer ao pai que a fosse buscar.

José Bernardo foi; teve a filha alguns dias, poucos, em sua companhia, e resolveu transferil-a para o convento de Santa Clara no Porto.

Do Outeiral, D. Maria Henriqueta escreveu para Cezár contando o que se tinha passado, e dando interessantes pormenores sobre a triste existencia de Margarida Candida no mosteiro de Arouca.

Referia que a infelicissima freira lhe tinha dito em segredo:

—Se algum dia a liberdade me puder abrir as portas d’este mosteiro, correrei a Aveiro para ir dizer a Joaquim Maria, sobre a lage da sua sepultura, que o amo na morte com a mesma dedicação e lealdade com que o amei em vida.

Frei Simão leu isto, e commoveu-se.

—Pois esteja Margarida Candida certa, exclamou elle, de que ha de cumprir a sua vontade, porque eu mesmo lhe abrirei as portas do mosteiro. Assim o prometti a Joaquim Maria; assim o farei.

José Bernardo mandou o filho Antonio acompanhar ao Porto D. Maria Henriqueta, que, para completar a sua educação, entrou no convento de Santa Clara[2].