Nos grupos fallava-se a respeito de frei Simão e, comquanto se fizesse justiça ao seu valor, a impressão geral era d’alegria, por ter cahido nas garras da justiça um tão perigoso absolutista, que, além de preso, estava gravemente ferido, isto é, inutilisado.

—Vocês, dizia, no seu grupo, um popular, conhecem o Ignacio Brandão, de Roussas?

—Muito bem!

—Pois o frade sempre era homem, que lhe metteu medo! Haverá agora trez semanas, passava o frade em Santa Marinha, uma legua de Arouca, pouco mais ou menos. Ahi vem o frade! disse o Brandão vendo-o a pequena distancia. E metteu a arma á cara, para lhe atirar.—Sou eu, respondeu o frade; atira. Pois não atiraste! Sabem vocês o que fez o Brandão? Largou a arma, e deitou a fugir!

—E em S. João da Madeira o que aconteceu com os homens que andavam na segada! dizia outro popular.

—E quando elle foi a Macieira de Cambra, sósinho, bater n’um homem! accrescentava ainda um terceiro popular.

—O frade tinha o diabo no corpo, Deus me perdõe! exclamava uma mulher.

—Tinha, mas foi apanhado, com uma chumbada na aza: é passaro que já não foge, apesar de bisnau.

—Quem avisou agora o commandante do destacamento, de que elle estava com certeza na casa do Outeiro, foram as cunhadas do Jorge e o Canedo de Vermelhinho.

—Ora adeus! quem lhe preparou bem o laço foi o Ignacio da Fonseca.