—Para evitar esse perigo, ha um remedio, disse-lhe frei Simão. Vossemecê foge tambem comigo.

O carcereiro pensou no caso, e acceitou o alvitre.

Resolveu-se a fuga, mas reconheceu-se que não poderia realisar-se pela porta do edificio, sob qualquer disfarce, porque as sentinellas tinham instrucções muito severas.

Foi frei Simão quem se lembrou de que a evasão só poderia effectuar-se pelo telhado, saltando os fugitivos para cima do predio contiguo. Esta operação seria facil, mas o abrir passagem pelo grosso tecto de castanho, seria difficil. Era precisa a intervenção de um carpinteiro.

Adoptou-se o expediente de requisitar os serviços de um carpinteiro de confiança, com o pretexto de que se tornava urgente construir um armario na cellula do frade.

O carcereiro, sob sua responsabilidade, chamou um carpinteiro de Milheirós da Feira[4], de quem era amigo intimo.

Em vez de se fazer o armario, fez-se uma abertura no tecto.

Frei Simão, cuja franqueza de caracter chegava ás vezes a ser imprudencia, foi visitado na cadeia, no dia destinado á evasão, por um visinho de Cezár, Manoel Francisco Relva, miguelista moderado, e excellente homem, muito respeitoso para com a familia do Outeiro.

Á despedida, o frade disse-lhe sacudidamente: