—Este é o seu quarto, sr. padre Antonio?

—Sim, senhor. Se Vossa Mercê quer entrar?

O tio de José Maximo entrou, e, n’um lance de olhos, viu tudo.

—O sr. padre Antonio, disse elle, parece, mettido n’este quarto, um frade do Bussaco!

—Porque?!

—Porque é o aposento mais pobre da casa!

—Cada um, replicou o coadjuctor, deve viver em conformidade com o seu nascimento. Eu nasci sobrinho da criada do sr. abbade, e assim quero viver para não vexar a minha propria familia. Que pensaria o sr. Ignacio da Fonseca a meu respeito, se eu me collocasse em affrontosa opposição com os habitos humildes de minha tia,—uma pobre criada do Passal?

—Sim... lá isso!

—O sr. abbade nasceu rico, e vive como nasceu, mas não tapa os ouvidos aos clamores da pobresa que generosamente soccorre. Eu nasci pobre, e pobre quero viver. Não invejo a felicidade dos outros, porque não sou, felizmente, cego do entendimento. A Deus o agradeço. Mas ha cegos, cegos do corpo, e tambem do espirito, que mettem a sua alma no inferno, aquelles porque se desesperam contra a miseria em que vivem; estes, porque não pensam senão em offender a Deus e em provocar a justiça divina.