José Maximo odiava Carlos X, que fizera correr o sangue do povo, e via no duque de Orleans o salvador da França constitucional.

A accidentada odyssea d’este principe, que tinha abraçado os principios de 1789 e applaudido a tomada da Bastilha, o seu alistamento no exercito republicano, o seu exilio na Suissa, a necessidade de vender os seus cavallos e de desempenhar o logar de professor de geographia, os seus longos errores pelo norte da Europa, a sua viagem ao Novo-Mundo, todas as aventuras politicas d’este principe liberal, que conspirava ao lado dos constitucionaes e de Lafayette, faziam com que José Maximo encontrasse affinidades biographicas entre o destino do duque de Orleans e o seu.

A 29 de julho de 1830, José Maximo bandeou-se com o povo, que invadiu o Louvre e as Tulherias, e que saudou com enthusiasmo a reapparição da bandeira tricolor, proscripta havia quatorze annos, sobre o zimborio do palacio real.

Viu o general Lafayette occupar o Hotel de ville, convertido em quartel-general da insurreição.

Quando soube que Carlos X havia retirado as Ordenanças e demittido o gabinete, sorriu de desdem, repetindo a phrase de Schonen, que desde logo se tornára celebre: «Il est trop tard!»

Parava ás esquinas das ruas de Pariz e commentava com fervorosa adhesão os pasquins que proclamavam o duque de Orleans como un roi-citoyen escolhido pelo povo e baptisado pela revolução.

Um legitimista, que o ouviu sustentar estes principios democraticos, não lhe reconheceu a qualidade de extrangeiro, tão bem José Maximo fallava o francez, mas foi reflexionando comsigo mesmo:

—A canalha quer a Carta, embriagada pelo poderio de fazer e desfazer reis! O futuro esmagará a canalha.

Estas palavras bem as podia ter pensado algum absolutista portuguez em 1826.

No dia em que o duque de Orleans entrou em Pariz, como logar-tenente general do reino, o espirito de José Maximo delirou de jubilo quando viu representado o ideial de uma realeza democratica, meio republica e meio monarchia, na pessoa de um principe que se apresentava aos seus subditos como um burguez patriota: de chapeu baixo e rozêta tricolor na botoeira.