Eram onze horas da manhã.
Frei Simão e seis dos seus valorosos companheiros foram presos, condusidos a Arouca, onde entraram ao som festivo dos sinos do mosteiro, que repicavam em triumpho.
As freiras, engalanadas com laços de fita escarlate, davam vivas a D. Miguel I, nas janellas do edificio.
Na cella da abbadeça houve beberete de vinho fino do Porto, esponjado em pão de ló de S. Bernardo, guloseima lendaria n’aquelle mosteiro.
Margarida Candida chorava, abraçada a um crucifixo, na hora em que o frade de Cezár, irmão de Joaquim Maria, passava, entre as ordenanças, caminho da cadeia.
Frei Simão, na attitude de um vencido que tem a consciencia de haver cumprido o seu dever, atravessava por entre a multidão, que o cobria de injurias, sem baixar a cabeça nem o olhar.
Mas ao passar em frente do mosteiro, a cabeça descahiu-lhe, o olhar rastejou no solo.
Uma onda de tristesa inundou-lhe o forte coração. Tudo estava perdido. Ia morrer, sem ter cumprido o seu juramento, realisado o seu ideial. Via a Terra Promettida, sem poder entrar os seus muros, transpôr as suas portas. E, de subito, lembrou-se da inexplicavel melancolia que o acommetteu, annos antes, a ultima vez que ali estivera. «Era um aviso de Deus!» pensou o frade.
As madres, parecendo-lhes que frei Simão ia succumbido, esganiçaram-se em redobrados gritos de alegria, vivas a D. Miguel I, ao corregedor, e ás ordenanças, que tambem festejavam com palmas.