Após curta demora em Arouca, foram os presos condusidos a Lamego, e d’ahi para Vizeu, onde entraram no dia 19 de setembro, atravessando por entre os apupos, os insultos, as pragas da multidão, que enchia as ruas.
Frei Simão e os seus companheiros tinham feito toda a jornada a pé, com inquebrantavel coragem. Caminhavam para a morte com a firmesa de verdadeiros heroes.
Em Vizeu estava funccionando o tribunal de terror, a commissão mixta, composta de trez magistrados civis e de quatro vogaes militares, que os ia julgar e que, fatalmente, os condemnaria.
Este sanguinario tribunal já havia mostrado o seu implacavel rigor na sentença que, em agosto, pronunciára contra trez sacerdotes liberaes.
Eram elles os padres Lauriano Antonio Pinto de Noronha, Caetano José Pinheiro e Antonio Alberto Pereira Pinto Monte-Roio, que foram presos quando navegavam Douro abaixo com o proposito de reunir-se á expedição libertadora no Porto.
Ia tambem com elles frei Joaquim dos Santos Pereira, mas esse, por haver sido ferido gravemente no peito com uma bala, não foi logo julgado, e assim logrou salvar a vida, porque o tratamento não tinha ainda acabado quando a liberdade triumphou[8].
Menos felizes, os seus trez companheiros foram arcabusados no Campo da Ribeira em Vizeu, no dia 23 de agosto.
Só em dezembro, a Chronica constitucional do Porto tinha noticia relativa ás primeiras victimas d’aquelle tribunal de terror.
No numero do dia 3 dizia o orgão official do governo de D. Pedro:
«Já se contam trez individuos espingardeados por estes monstros. As primeiras victimas, segundo nos consta, foram trez clerigos; esses apregoados defensores do altar e throno folgam de banhar as mãos no sangue dos ministros da Religião, quando estes fieis á legitima Rainha, e inimigos do perjurio e da usurpação, recusam tornar-se cumplices do crime de seus algozes!»