Diz assim:
«Vizeu em o Oratorio, 16 de outubro
Mano do C. Ámanhan vão pôr termo aos meus trabalhos, estimarei seja o ultimo sangue que se verta: por outra via te escrevi que creio ahi te será entregue, pessoalmente. Peço-te me ajustes contas com todos os acredores, e me desencarregues a minha alma: visitas á Mana, pequenos e mais familia e que me encommendem a minha alma ao Creador; peço-te se o meu sangue te servir de alguma cousa ajudes as Manas com especialidade Maria e Anna que muito tem soffrido. Adeus. Este religioso a quem sou muito devedor fica com as minhas declarações que te enviará ou ás Manas de ellas ter resposta. (Sic.) Adeus. Teu mano affectivo
F. Simão.»
Dobrou o papel, e sobrescriptou: Ill.ᵐᵒ Sr. Frederico Pinto Pereira de Vasconcellos.
—Agora, disse elle voltado para o religioso que estava rezando, vou fazer as minhas declarações. Mas é trabalho que requer mais vagar, porque não desejo que me esqueça nada.
Escreveu seguidamente duas folhas de papel almasso, que tambem tenho deante dos olhos.
A mesma firmesa de lettra; e uma só entrelinha, apenas.
São, effectivamente, declarações sobre negocios domesticos, menção de quantias que lhe deviam ou de que era devedor. A sua placidez de espirito era tamanha, que não se esqueceu de mencionar pormenores sobre a administração da casa. Refere-se escrupulosamente ás missas que deixou por dizer, e que quer sejam ditas sem falta. Torna a recommendar as irmãs, especialisando Maria e Anna, aconselhando aos seus que «vivam bem e sejam amigos.»