Depois de ter escripto por mais de uma hora, frei Simão sentou-se de fronte do crucifixo, que tinham posto no oratorio, e assim se conservou meditando durante toda a noite.

Ao romper da manhã tomou outro caldo, e ajoelhou largo tempo em oração.

—Irmão, disse-lhe o religioso, creio que se avisinha a hora tremenda. Veja se quer mais alguma cousa de mim.

—Sim, meu padre, quero entregar-lhe as minhas declarações; mas ainda me falta escrever mais alguma cousa.

Tinha apenas traçado duas linhas, quando a porta se abriu.

Era o momento fatal.

Frei Simão entregou as declarações e a carta ao religioso, a quem abraçou e beijou a mão.

Depois sahiu serenamente e assim se dirigiu, no meio da escolta de milicias de Bragança, para o terreiro contiguo, chamado de Santa Catharina.

Ahi abraçou os seus companheiros de desgraça, pedindo-lhes perdão, e agradecendo-lhes a sua lealdade. Ao Marques abraçou por duas vezes. Não chorou. Tornou a abraçar e a oscular o religioso, que lhe havia assistido.

Firmemente foi collocar-se em alvo na linha dos condemnados.