O estudante retirou-se um pouco contrariado. Imaginava elle que o mesmo seria chegar ao Porto e iniciar-se no segredo das combinações revolucionarias.

Frederico Pinto contou ao coronel Sepulveda o que acabava de passar-se. Leu-lhe a carta de frei Simão, accentuando os periodos que diziam:

«Este moço possue uma alma generosa e heroica. Adivinho n’elle um homem de acção. Aproveital-o será bem servir a patria. Entrego-t’o para que o protejas e dirijas.»

Sepulveda riu d’esta inesperada apparição de um rapaz exaltado até á loucura do heroismo.

—Feliz idade! disse o coronel. Mas desgraçada familia, a quem elle decerto prepara os grandes desgostos que resultam das contingencias politicas.

—O que eu não sei é o que lhe hei de dizer! Que vá estudando, é talvez o melhor conselho que posso dar-lhe. E se elle quizer ficar no Porto, offerecer-lhe-hei o auxilio que precisar.

—Sim, respondeu Sepulveda muito reflexivo. Mas não me parece conveniente que o hospéde em sua casa. O rapaz é exaltado, pode comprometter o hospedeiro. De mais a mais, ninguem tem o dom de adivinhar ao certo quanto tempo durará ainda a incubação de graves acontecimentos. E lembre-se o ajudante de que, se o seu casamento se antecipar, o que é possivel, a presença de um hospede permanente ser-lhe-ha incommoda.

—Tudo isso me tinha lembrado, coronel, e foi essa a razão de lhe não offerecer a minha casa.