—Dize-nos uma coisa: não está aqui hospedado um sujeito que veiu do Porto?

José Maximo respondeu sem a menor hesitação:

—Está, sim, senhor. Está lá em cima, no quarto. Chegou ante-hontem.

Os beleguins subiram a escada contentissimos, e José Maximo, não menos contente, correu ao Arco da Graça a avisar Fernandes Thomaz do que se tinha passado.

Foi tão feliz, que o encontrou no caminho, de volta para casa. Fernandes Thomaz retrocedeu, e n’essa mesma noite retirava com José Maximo para o Porto, demorando-se, de passagem, algumas horas em Coimbra, para conferenciar com o seu particular amigo José Maria da Encarnação.

José Maximo tinha ganho, definitivamente, as suas esporas de ouro de conspirador. Se não fosse elle, Fernandes Thomaz haveria sido preso, e a revolução do Porto teria abortado. Fernandes Thomaz, bem como todo o Synhedrio, reconheceu, com palavras de muito louvor, esse importante serviço.

Sepulveda felicitava-se de ter concorrido para a iniciação de um tão importante e dedicado auxiliar.

A felizmente mallograda occorrencia de Lisboa determinou o Synhedrio a precipitar os acontecimentos.

No dia 24 de agosto rebentava no Porto a revolução. Todos os coroneis dos corpos da guarnição a apoiaram. O tenente-general Canavarro adheriu, como se esperava. O senado da camara tambem.