«Para a desarmar e quebrar-lhe as forças—dizia a freira—tive a feliz idéa de lhe mandar dizer que o tal capitão de dragões havia morrido. Ora foi como se se deitasse agua no fogo! E depois tudo se consummou sem maior escandalo.»

Sóror Maria das Cinco Chagas orgulhava-se da sua imaginosa invenção, que cortou o nó gordio, valendo a espada de Alexandre.

André Pinto vangloriou-se de vêr realizada, com tão feliz exito, a sua obra de tyrannia, e espalhou em Chaves a noticia da profissão da sobrinha, como se se tratasse de um triumpho obtido por elle proprio.

Houve quem escrevesse a Joaquim Maria para Aveiro informando-o, com damnado proposito, da profissão de Margarida Candida. Fôra André Pinto, que ditára a participação a um amanuense, para esse fim convidado e assalariado. Era o golpe de misericordia da sua vingança contra o capitão de dragões.

Joaquim Maria recebeu na cadeia de Aveiro, onde estava com outros presos politicos, a terrivel noticia, que desde logo acreditou porque a esperava.

Elle conhecia bem André Pinto, e sabia que a sua perseguição iria até ao ultimo extremo da perversidade.

Desde esse momento a vida tornou-se-lhe um fardo inutil. Tudo estava acabado para todo o sempre.

No dia seguinte, quiz levantar-se do catre e não poude. Faltaram-lhe as forças.

Foram dizer-lhe que, para aproveitar os «beneficos effeitos da amnistia», podia justificar o seu procedimento perante a Commissão de rehabilitação que o governo absoluto havia creado em Lamego.

—Não quero justificar-me, respondeu Joaquim Maria. A minha consciencia está tranquilla.