Chegado a Cezár, disse á irmã mais velha:

—Vou amanhã solicitar as devidas licenças para que seja permittido a um moribundo vir expirar nos braços da sua familia e em sua casa.

A irmã ouviu-o em lagrimas.

O cirurgião dos presos, ouvido sobre o requerimento de frei Simão, informou que Joaquim Maria estava irremediavelmente perdido, e poucos dias teria de vida.

Mas esta informação não conseguiu abalar o animo duro da justiça até o ponto de conceder que o capitão fosse transportado para sua propria casa. O mais que se concedeu foi que a familia de Cezár escolhesse habitação dentro da cidade de Aveiro ou perto d’ella, onde Joaquim Maria podesse ser recebido, sob fiança de uma familia conhecida.

Frei Simão obteve a annuencia da familia Rangel de Quadros, do Carmo, que se prestou a receber o preso, e a responsabilisar-se por elle.

Joaquim Maria sahiu da cadeia para a casa do Carmo nos primeiros dias de outubro d’esse anno de 1823.

Frei Simão e D. Maria Albina, a irmã mais velha, acompanharam-n’o.

O doente quiz que lhe fossem ministrados os ultimos sacramentos, e serenamente os recebeu.

O frade velava-lhe o leito, como enfermeiro dedicado. Ficou só, ao lado do irmão; fizera recolher a Cezár D. Maria Albina, e prohibira ás outras pessoas da familia que fossem alancear com a sua presença os ultimos momentos de um moribundo.