José Maximo encolheu os hombros, como significando que desejava pôr de parte aquelle assumpto.
Depois transmittiu a frei Simão o pedido de D. Anna de Vasconcellos repetindo as rasões allegadas por ella.
—Fique Vossa Mercê tranquillo, respondeu o frade, que a sua commissão terá bom despacho. Anninhas é um anjo, e eu irei ao Porto fazer sentir a meu irmão, com a delicadeza que o caso requer, que nós os do Outeiro temos tanto direito como elle á companhia de um anjo. Se meu irmão vier, porém, a perceber que o pedido partiu d’ella, aconselhal-o-hei a desculpal-o, porque o amor sincero merece o respeito de quem o comprehende. E a Anninhas é uma alma sincera. É um anjo, creia; um anjo digno de Vossa Mercê.
José Maximo despediu-se effusivamente do frade, cujo animo forte já havia despertado de um desalento passageiro, e que por isso lhe disse ao limiar da porta, como se não receiasse ser ouvido:
—Até á liberdade, meu amigo.
—Que não voltará mais, replicou José Maximo.
—Ha de voltar, porque está no coração do homem, é uma aspiração ingenita da natureza humana.
—Ha muitos seculos, respondeu ainda José Maximo, que o espirito do homem vive escravisado. A sua força de resistencia é menor que a pressão esmagadora dos factos.
No caminho José Maximo avistou um criado de seu tio. Era o Manel Zarôlho, que estava ali a espional-o, porque tinha constado que José Maximo passára para o Outeiro.
Ao contrario do que costumava fazer, José Maximo parou o cavallo, e chamou pelo camponez.