Queriol descreve: «... depois de muita chalaça e folia em que tomaram parte algumas festejadas companheiras de outros amigos que em seges de aluguel se nos haviam antecipado, quebrando a monotonia de uma sociedade composta só de homens, o conde de Vimioso mandando entrar a Severa e pedindo a Roberto Camello que a acompanhasse na guitarra, nos deu uma audição de Fado até então desconhecido da maior parte senão de todos os ouvintes.»
Esta declaração é importante, porque vem confirmar tudo quanto havemos dito sobre a data provavel em que principiou a usar-se a palavra Fado como synonymo de canção.
Não se contradiz o sr. Queriol quando n’outro relance do seu artigo escreve que o Fado já anteriormente se cantara «na prôa dos navios de guerra á mistura com a vida do marinheiro e outras canções em que a triste sina ou miserias da vida arrastavam ao infortunio».
Sim, cantavam-se as canções tristes e fatalistas dos portuguezes, n’um rythmo dolente; mas ainda se não havia dado a esse typo de canções populares a categoria musical e o nome generico de Fado.
É isso o que temos sustentado n’este livro, é isso o que o sr. Queriol, que hoje conta mais de 70 annos, affirma no seu artigo, quando diz que o Fado era até então desconhecido da maior parte senão de todos os ouvintes.
Quanto ao physico da Severa, o sr. Queriol está em accôrdo com Palmeirim: nenhum reconhece que fosse bella, mas ambos dão a impressão de que era elegante; um gaba-lhe os olhos, o outro o cabello; do que resulta que seria, como tantas outras portuguezas, uma mulher attraente, sem formosura, pela sua linha airosa e pelo encanto dos olhos e do cabello.
No attinente ao moral, é que parece haver desharmonia entre o sr. Queriol e o fallecido Palmeirim; mas talvez possamos chegar a uma conclusão conciliatoria.
Vejamos o que escreveu o primeiro, pois que já vimos o que o segundo escreveu.
Diz o sr. Queriol, referindo-se á noite, de que vem fallando, em casa do conde:
«Ora a Severa apresentava-se como uma serviçal e não com pretensões a dona de casa.