[13] Ernesto Vieira, Dicc. Mus.

[14] A Tradição, revista de ethnographia portugueza, IV anno, n.ᵒ 1.

[15] Historia da poesia popular portugueza, pag. 89, e Epopeas da raça mosarabe, pag. 321.

II
Fadistas

O facto de termos encontrado nos Mysterios do Limoeiro a palavra fadista (como termo de calão e por isso graphada em italico) sem que até essa epoca (1849) appareça qualquer vestigio do vocabulo Fado ou Fadinho na accepção de cantiga popular, leva-nos á conjectura de que foi da moderna nomenclatura da classe que derivou o nome da canção, em vez de ser da canção que proviesse o nome á classe.

Entende-se por fadista a pessoa que cumpre um mau destino; seja homem ou mulher, prostituta ou rufião. E aqui ha a notar que o vocabulo fado tomou em calão um sentido exclusivamente pejorativo: Vida do fado, a má vida; moça do fado, a rameira. Umas palavras geram outras: de fado (destino) veio fadista; fadistar, levar vida de fadista; afadistar-se, adquirir ares e modos de fadista; fadistagem, a conectividade da gente de mau fado, a pratica de suas tunantadas e proezas; fadistice, a chibança ou prosápia de fadista; Fado ou Fadinho (e Faduncho, aliás menos vulgar) canção em que os faditas lastimam o seu destino.

«O Fado, escreve Palmeirim, é de ordinario a historia veridica e romanesca do homem que de guitarra em punho extasia os ouvintes, narrando-lhes as tribulações da sua vida ou os incidentes e peripécias dos seus amores. O mote, a divisa do fadista é:

Eu hei de morrer cantando

Pois que chorando nasci.»[16]

De cantar o seu fado veio a dizer-se, por generalisação, «cantar o Fado». E esta palavra tomou a accepção de cantiga de fadistas: como em italiano barcarola é a canção dos barcaiurolos (gondoleiros) e no portuguez—serrana—é a canção dos habitantes das montanhas (serranos).