É claro que em todos os tempos existiram na sociedade portugueza, e nas outras, como escumalha vil da civilisação, os representantes da classe a que hoje se dá o nome collectivo de fadistas.
Os autos de Gil Vicente e do Chiado deixam uma nitida impressão do que era essa despresivel classe no seculo XVI em Portugal.
N’elles apparece a par da boneja (prostituta) o rufião, que a explora; o rascão bebado e desordeiro, ocioso e libertino, trovista e tangedor de taberna; o vaganau, etc.
No seculo XVIII encontramos, segundo a lição de Bluteau, «marotos», ganisaros ou janisaros, etc.
Typos de Fadista
(Copias de bonecos de barro)
Só desde o fim da primeira metade do seculo XIX nos apparece, porém, a designação fadistas, com a de faias,[17] faiantes,[18] bailhões,[19] etc; e a de Fados como nome generico das suas canções.
O Fado, n’esta accepção, é uma palavra adoptada ha meio seculo ou pouco mais.
O Fadista, no seu aspecto moderno, tem surgido aos nossos olhos como um typo social que os escriptores contemporaneos observam e descrevem.