Ás sete horas da manhã, Araujo Rodarte e as suas tres netas sahiram, como de costume, para o banho.

Atravessaram o passeio da Praia de Troino, riscado havia tres annos. Os eucalyptos haviam crescido com a precocidade que caracterisa o desenvolvimento d’estas arvores, de modo que abrigavam uma legião de passaros, cuja chilreada era como que um doce concerto matutino.

Sobre o lago, e nas seis extensas avenidas que do lago irradiam, algumas borboletas passavam, batendo, na palpitação da luz, as suas azas brancas.

Um rapasito, que vinha de levar o almoço ao pae, empregado na Doca, havia poisado a cafeteira sobre a borda do lago, e, de joelhos, brincava mettendo as mãos na agua, agitando-a, para fazer turbilhonar os peixes vermelhos.

As Rodartes e o avô sentaram-se alguns momentos em dois dos bancos que torneam o lago, porque o sol ia descobrindo, e era agradavel aos banhistas, na travessia de casa para o banho, descansar na frescura d’aquelle oasis.

Depois cortaram na direcção da praia, a que faltava o pittoresco das praias do norte do paiz, onde os arruamentos das barracas alvejam garridamente.

Em Setubal o systema seguido é o do wagon e o da prancha. Os banhistas despem-se e vestem-se nos compartimentos do wagon, e mergulham na agua agarrados á prancha. Os mirones aproveitam a sombra escassa do wagon para sentar-se a gosar o espectaculo da praia.

Salomé e o avô, que não tomavam banho, sentaram-se á sombra, emquanto Hilda e Maria Ignez foram fazer a sua toilette balnear.

O Sado estava tranquillo e diamantino. Alguns golfinhos davam saltos, ao largo, n’uma folia de clowns aquaticos.