D. Enrique entreabriu a caixa mesmo dentro da gaveta, e, como Ricardina se approximasse, elle fechou de repente a caixa, e metteu-a na algibeira.

—Está ou não está? É negocio muito sério! Deve vêr, para que a verdade fique bem esclarecida!

Está todo como habia quedado, respondeu D. Enrique.

—Deve ser joia de muito valor, para usted se sujeitar a vir a Setubal procural-a? perguntava, muito desfructadora, Ricardina.

Una joya de familia, de mas estimacion que valor.

—Bem me queria parecer que era joia de familia!... Ora ainda bem que appareceu! E a quem pertence essa joia? É sua, sr. D. Enrique?

Nó, és de mi mujer.

—Já estão em Santarem?

Todavia nó. Hemos estado en Lisboa y vamos mañana para Santarem.

—Peço-lhe o favor, sr. D. Enrique, de dar muitas lembranças minhas ao sr. conselheiro, disse ironicamente Ricardina.