Se não fosse trazerem o rosto um pouco mais purpurino, dir-se-hia que Hilda e Maria Ignez não adivinhavam o que se ia tratar. Salomé, pelo contrario, estava mais pallida que de costume, parecia ser ella a noiva, pela commoção que denunciava.

Feitos os cumprimentos, Araujo Rodarte disse voltando-se para Hilda e Maria Ignez:

—Estes dois cavalheiros, nossos patricios e amigos, acabam de me expôr um assumpto que exige resposta vossa. Pela minha parte, apreciando-os como devo, porque ambos são pessoas que me merecem o melhor conceito, nada terei que oppôr á vossa vontade. Podeis e deveis fallar com franqueza, porque se trata do vosso futuro. O sr. morgado pede a tua mão, Hilda, e este cavalheiro a tua, Maria Ignez. Respondei agora ou quando quizerdes, e como quizerdes.

As duas meninas ficaram por algum tempo silenciosas, cravando no avô os olhos embaciados de lagrimas.

Araujo Rodarte procurava mostrar-se forte, para desopprimir o animo das netas.

Os dois alemtejanos rastejavam o olhar no pavimento da casa.

—Podeis e deveis fallar como entenderdes, disse Araujo Rodarte.

—Eu, pela minha parte, respondeu Hilda mais purpurina ainda das faces do que havia entrado, porei apenas uma condição.

—Qual? perguntou Araujo Rodarte.

—Que ficaremos vivendo na Messejana em companhia do avô.