Ficam olhando ao signal.
Este pasquim attraiu a curiosidade, produziu risota, foi lido com vivo interesse.
Como era natural, todos procuraram interpretar as allusões n’elle contidas, e assim aconteceu que não só o facto principal, o sorteio, se tornou ao dominio publico, mas tambem tiveram grande notoriedade todos os episodios que accidentaram alegremente o pic-nic da vespera.
De pergunta em pergunta todos ficaram sabendo o que se tinha passado, e entendendo cabalmente o pasquim, com excepção de uma só quadra.
Não restou duvida a ninguem de que Minerva se referia ao estudante, Guttemberg ao jornalista, e Marte ao alferes e ao tenente de caçadores.
Uma só passagem permaneceu obscura por muito tempo, o sentido da quarta quadra ficava em suspenso, pois que não podia atinar-se com a allusão ao sal no ultimo verso.
Que aquillo era com o Vianninha, percebia-se, visto ser elle o unico setubalense que tinha assistido a caldeirada. Mas o sal, sublinhado, era um problema, um enygma, um hieroglipho.
Alguns curiosos roiam as unhas parados ás esquinas, matutando deante dos pasquins. Que diabo de sal era aquelle? O que queria dizer aquillo?
Alguem lembrou que o Castanha, mestre-escola, apezar de vesgo, via bem as charadas. Era um alho para as decifrar. Chamou-se o Castanha, que estava a dar aula, decifrando enygmas do Almanach de Lembranças, emquanto os pequenos se entretinham uns com os outros.
Era como elle dava aula sempre.