O conselheiro, muito contrariado, procurava no seu espirito uma phrase com que, sem correr o risco de ser indiscreto, podesse dar a entender a D. Estanislada que, ao pé d’ella, o rosto de qualquer outra mulher lhe passava despercebido.

Finalmente, pareceu-lhe que tinha achado a phrase precisa, e disse-a:

—O rosto d’esta menina é realmente muito interessante, e eu felicito por isso a senhora sua mãe; porem não permittamos á sr.ª D. Estanislada que se esteja escondendo na sombra, qual timida violeta.

D. Estanislada gostou de se vêr tratada por violeta. E, saboreando a amabilidade, como se estivesse chupando um rebuçado, contestou:

Yo, pobrecita de mi, yo estoy hecha una vieja!

—Pelo amor de Deus! exclamou o conselheiro levantando os braços quasi até á altura da cabeça.

—Que não, acudiu a sr.ª Magdalena, que estava ainda muito fresca, muito bem disposta, que até parecia irmã mais velha da filha.

E a menina Ricardina accrescentava que a sr.ª D. Estanislada não devia dizer a ninguem que era mãe da señorita Soledad.

Este tiroteio de lisonjas, de que D. Estanislada foi alvo, durou alguns minutos.

O conselheiro, quando entre todos pareceu ficar decidido que D. Estanislada era qual timida violeta, sem que ella já ouzasse protestar, fingiu-se novamente admirado da ausencia de D. Enrique e de Soledad.