O sueco affirmou positivamente que estava; que tinha entrado ás onze horas.
—Olhe lá, disse o Lemos, venha comigo, vamos pregar uma partida a essa marafona da D. Estanislada.
E, mettendo o braço ao sueco, foi-o levando comsigo a reboque.
Depois que passára a tempestade do ciume, D. Estanislada e o conselheiro reconciliaram-se n’um longo idillio de amor. Tinham adormecido nos braços um do outro, e D. Estanislada sonhava afflictivamente que D. Enrique, voltando de Lisboa, estava batendo á porta.
Accordou sobresaltada, sentou-se na cama offegante, olhando para o conselheiro que dormia tranquillamente e assobiava por um dos cantos da bôcca.
Agitada entre a impressão do sonho e da realidade, isto é, entre a imagem de D. Enrique e a pessoa do conselheiro, estava limpando o suor da testa, quando ouviu resoar tres pancadas na porta e uma voz roufenha dizer:
—Eu sou D. Enrique! Eu sou D. Enrique!
Agarrando-se trémula, convulsa ao conselheiro, accordou-o, e elle, despertando aturdido, ouviu tambem, distinctamente, a voz roufenha dizer:
—Eu sou D. Enrique! Eu sou D. Enrique!
Era o estudante d’Alcacer, que se tinha lembrado de pregar aos dois esta partida.