E o sueco, apertando na sua manápula a mão de Ricardina, sentiu-se deliciosamente agitado por esse contacto, que era um triumpho amoroso cahido do céo.
Por sua vez, Ricardina, que sahira vibrante de casa de D. Estanislada, sentia-se bem, feliz, por ter podido até certo ponto descarregar a electricidade que de lá trouxera.
O sueco era um homem sadio, de boas côres, e devia ter dinheiro, porque estava ali como commissario de uma importante casa da Suecia, importadora de sal.
De mais a mais Ricardina, como todas as mulheres, lisonjeava-se de ter arrancado um vassallo ao coração da señorita, que estava absorvendo todas as attenções de Setubal.
O sueco, ruminando a sua boa fortuna, foi passear audaciosamente para a praia, como se já não temesse os ridiculos da troça.
Dados alguns passos, encontrou o estudante de Alcacer, que, muito noctivago, recolhia do café Esperança.
—Ó seu sueco! disse-lhe o Lemos. Então você não tinha ido para Cintra?!
O sueco respondeu-lhe que effectivamente tinha estado em Cintra, por passeio, e não porque se houvesse importado com a historia do pic-nic; que se estava rindo da señorita, que era uma tola, e até de D. Estanislada, que era a amante do conselheiro Antunes.
E, sem se referir a Ricardina, contou ao Lemos que Soledad e D. Enrique tinham ido para Lisboa e que o conselheiro estava áquella hora em casa de D. Enrique.
—Está lá com certeza? perguntou o Lemos.