—He ido á los toros!
—Ah! Foi usted aos touros? E que tal?
—Una broma!
E ficavam-se a rir, logo que elle voltava costas, da singular coincidencia de ter ido aos touros aquelle homem que, durante a sua ausencia, fôra, segundo a expressão picaresca do estudante, lidado pelo conselheiro.
Mas D. Enrique vinha mais contente do que fôra, porque tivera occasião de fallar em Lisboa com outros emigrados, e a opinião d’elles era que o estado anarchico de Hespanha não podia continuar por muito tempo. O remedio viria de alguma parte, ou d’uma intervenção das potencias estrangeiras ou de uma reacção espontanea do paiz.
Era a esperança providencial de todos os emigrados a prefigurar-lhes um desfecho mais rapido do que os factos em verdade promettiam.
O estudante, o jornalista e o Vianninha resolveram, á volta de Brancannes, demorar o convite ás Rodartes, para entrarem na récita, até que estivesse escripta a comedia e se soubesse ao certo qual o numero dos personagens femininos.
O jornalista metteu-se em casa a trabalhar de afogadilho na sua peça, de que elle proprio já fallava com orgulho, quando ás dez horas da noite apparecia no café do Lapido para tomar cognac, como uma celebridade noctivaga.
Contava com uma verdadeira glorificação no theatro, esperava que o seu triumpho no palco de Setubal teria grande écco em Lisboa. Coroado como dramaturgo na patria de Bocage, para entrar no palco de D. Maria II só lhe seria preciso... atravessar o Tejo.
A sua reputação estava feita ou perto d’isso.