Julio de Lemos, muito contente com o seu papel de baroneza de Piães, em que obteria uma ovação, estava d’isso convencido, occupava-se, nas horas livres de ensaios, em preparar a sua toilette.
Lembrou-se de D. Estanislada para lhe fornecer o guarda-roupa, mas lembrou-se obrigado pelas circumstancias, porque o morgado de Reguengos declarára categoricamente em alguma parte que, por seu conselho, as Rodartes não contribuiriam para a récita senão com o preço do seu camarote.
E o estudante, quando soube isto, dissera:
—Essa grande bêsta imagina talvez que terei de apparecer em scena como Eva no Paraizo Terreal! Pois engana-se redondamente.
E foi pedir a D. Estanislada que lhe valesse n’aquella afflicção.
Soledad tinha ido ao banho com o pae, mas D. Estanislada recebeu-o amavelmente, prometteu-lhe pôr á sua disposição o guarda-roupa de que precisasse.
Julio de Lemos, muito captivado, agradeceu-lhe a amabilidade e, para lisonjeal-a na sua formosura, contou-lhe a scena que se seguira ao pic-nic de Troia, disse-lhe que, no sorteio de damas a que se procedêra, ella tinha cahido em sorte ao sueco.
D. Estanislada riu muito com essa brincadeira, e explicou então a si mesma os ciumes do conselheiro, e a presença do sueco, de noite, na sua rua.
Esta revelação não cahiu em cesto rôto.