—Está tratado.

Padre Antonio quiz dar-me para esse almoço um excellente companheiro: o meu velho amigo Pereira Carrilho, com quem em menos de quinze dias fiz uma larga serie de passeios: á Nazareth, a Alcobaça, á Figueira, á Foz do Arelho e a Obidos.

E, note-se, não perdemos um dia de aguas. Digo isto aqui para que o meu medico, e tambem velho amigo, dr. Ferrer Farol, não ralhe comigo na volta a Lisboa. Não, snr. Eu tomei sempre a minha agua, eu tomei sempre o meu banho, e não perdi occasião de passeiar,—para de algum modo coroar a obra therapeutica do dr. Farol.

Se fosse n'outro tempo, ter-me-ia custado ter que abandonar á noite o club das Caldas, onde a valsa era adorada com idolatria.

Mas com trinta e oito annos ás costas—o peso[{44}] de uma cruz!—a valsa seria para mim um tour de force incomportavel, um calix de agonia.

Nada d'isso. Nas Caldas da Rainha não provei d'esse calix, nem do chá do club. Não ingeri lá outros liquidos além da agua da Copa e do vinho das Gaeiras.

Quanto a solidos, já não posso dizer outro tanto, pois que prestei, como devia, gastronomica homenagem ás cavacas das Caldas.

E, ao comel-as, reconheci que ainda vale muito, n'este mundo, ter uma lenda.

É que as cavacas das Caldas teem mais lenda do que assucar.

Nós, os dois convidados para o almoço de Obidos, recebemos da mão do honorable Sebastião da Copa o nosso copinho de agua das Caldas, e, entrando para um trem, partimos caminho d'Obidos.