N'isto sentimos passos; voltámos-nos. Era Padre Antonio que chegava, em fato de caçador, com dois cães que o farejavam.

—Que as perdizes já estavam a cosinhar-se, tenras e gordas. Era o melhor almoço que um caçador podia dar. Tinha promettido, confessava, a vacca e o riso do frei Bartholomeu dos Martyres. Da vacca tinha mandado fazer beefs. O riso trazia-o alli, nos labios, e era patriarchal de hospitalidade sincera, como no Oriente... Mas as perdizes quizera-as ir caçar n'aquella manhã o seu amigo caçador Antonio de Almeida, para mandal-as ao Padre, que esperava hospedes para o almoço. Elle não tinha culpa de que o seu amigo caçador, apesar de lhe estar dentro da propria pelle, se lembrasse de lhe fazer um presente de[{49}] perdizes para o almoço e como Padre Antonio, que fôra quem as recebera, tinha gente de fóra para almoçar, pedia licença para mandal-as pôr na mesa com molho de villão. E que depois lambessem os beiços... Estava certo d'isso.

Padre Antonio explicou tudo: os quadros, o tumulo, a historia d'aquella egreja, tudo.

E a mulher:

—Que ella bem nos tinha dito que não havia para explicar Obidos inteira como o snr. Padre Antonio!

E Padre Antonio:

—Que ficasse com Deus, que nós iamos ao castello.

Fomos ao castello, subimos á torre de menagem.

Padre Antonio explicava todas as ruinas, a lettra de todas as inscripções apagadas, a historia de todas as pedras cahidas.

E, no alto da torre de menagem, estendendo o braço direito no ar: