Resaltam tambem d'este panno dois quadros a oleo, um relogio de parede, uma copia da Virgem da Cadeira, o espadim de Vieira de Castro, e os retratos de Thomaz Ribeiro, Vieira de Castro, José Julio d'Oliveira Pinto, Francisco Martins, e morgado de Pereira, actualmente em Africa, senhor da honra e solar de Esmeriz, antigo solar dos Pereira Forjazes, de Riba d'Ave.
Por estes sinceros amigos d'outros tempos, Vieira de Castro, José Barbosa e Silva, José Julio d'Oliveira Pinto, hoje cadaveres, sente ainda o coração de Camillo pungentissima saudade. Não ha ahi encontrar memoria mais tenaz em recordar desgraças alheias, e alma[{14}] mais devotada a carpir as angustias d'esses notaveis homens que pereceram deixando immoredouro nome á historia portugueza mais deslembrada do que elles valiam do que o amigo que os prantea ainda no remanço meditativo do seu gabinete.
Em seguida á estante deparamos uma jardineira com candeeiro, albuns, e uma urna de prata offerecida pelos portuguezes de Hongkong, como consta da inscripção gravada na mesma urna:
AO ILL.mo E EX.mo SNR.
CAMILLO CASTELLO BRANCO
O.
OS SOCIOS DA
BIBLIOTHECA PORTUGUEZA
DE HONGKONG
1869.
Immediatamente á jardineira ficam o sophá e as poltronas d'estofo vermelho com ramagens cinzentas. As demais cadeiras são de pau preto com molduras douradas.
Entre o sophá e a janella da esquerda está collocado um contador sobre o qual assentam rumas de livros e outro candeeiro.
Resta-nos fallar d'uma estante de musica, que serve de banca a Camillo, quando por incommodo de saude não póde lêr sentado, para chegarmos á mesa onde habitualmente escreve, posta á esquerda da porta d'entrada.[{15}]
São unicos adornos da sua banca um tinteiro circular de metal amarello, um cinzeiro de loiça, uma cabeça de metal onde archiva as cartas recentemente recebidas, livros depositados a um e outro lado, e tiras de papel que Camillo Castello Branco infatigavelmente enche todos os dias.
Da banca para o fogão facilmente se deslisa ao longo do tapete que cobre todo o pavimento.
Sigamos este breve trajecto para nos repotrearmos na priguiceira de palha em que provavelmente se reclinou o imperador do Brasil, que Camillo Castello Branco presenteou com um quadro dos reis de Portugal até D. João IV.