—Que leva hoje?
—A novidade?
—Diga, diga!
É o côro dos gavroches que pedem anciosamente o pregão. O distribuidor tem lido previamente o jornal. Faz signal de silencio e vota falla:
—Foi o raio que matou um homem.
Calam-se, conticuere omnes, a fixar na memoria o pregão. O receio de se esquecerem faz com que realmente se esqueçam. Lá pergunta um:
—É o homem que matou o raio?
—Toleirão! Foi o raio que matou o homem.
São-lhes distribuidos os jornaes; os gavroches rugem de impaciencia. Para que não haja rivalidades, saem todos ao mesmo tempo. É um furacão que passa.
Que sejam mancos ou não, pouco importa. N'aquelle momento todos teem azas... nos pés, como Mercurio. Estala a multidão na rua similhante a bombarda. É a noticia, o telegramma, o romance, a politica que sapatea no solo. Começa a vida no exterior. Saíu o sol. E o operario antes de trabalhar para o patrão trabalha para si,—vae lêr.