Morre Carlos II, depois de ter pedido perdão a sua esposa de todos os desgostos que lhe fizera soffrer, regressa D. Catharina a Portugal, e logo se reata a série, vinte e tres annos interrompida, dos panegyricos.

Temos pois:

Oraçoens gratulatorias na feliz vinda da muita alta e muito poderosa rainha da Gram Bretanha, compostas e recitadas na igreja da Divina Providencia á nobreza de Portugal nas trez ultimas tardes do mez de janeiro de 1693 pelo padre D. Raphael Bluteau. Lisboa, 1693.

Seis annos depois, apparecia um folheto em latim, Agilulphus, impresso em Evora, cujo argumento é o seguinte: Agilulfo, rei da Lombardia, idólatra e perseguidor dos christãos, feito christão pelas orações e industria de sua esposa, a rainha Teodolinda.

Este opusculo allude ao passamento de Carlos II, que, como conta Macaulay na sua History of England, morreu reconciliado com a igreja catholica, graças á piedosa intervenção da rainha e do conde de Castel-Melhor.

Fallece em Lisboa D. Catharina de Bragança, em 31 de dezembro de 1705, e os gemidos saudosos da poesia palaciana não se fazem esperar.

Gemidos saudosos entre a illustre e luctuosa côrte de Lisboa, e o poderoso e sentido reino de Inglaterra: aquella lamentando defunta a sua venerada Infante, e esta suspirando morta a sua melhor rainha a serenissima senhora D. Catharina, por Pedro de Azevedo Tojal. Lisboa, 1706.

Pobre rainha! como se lhe não bastasse soffrer um marido leviano, toda a sua vida teve que aturar os poetas lisongeiros!

VI

Tradição galante de D. Miguel