Apesar de ter appellidado o nobre marquez de «grande senhor da época rococó» e de haver notado falta de gosto nas esplendidas alfaias do palacio do Rato, não pôde deixar de exclamar, graças ao hymno austriaco toda a noite soprado pela fanfarra: «Este simples traço basta a caracterisar o bom marquez.»
Maximiliano já antes tinha estranhado que no Paço das Necessidades as bandas militares não houvessem tocado o hymno austriaco, mas unicamente o hymno real portuguez, quando alli foi convidado a jantar duas vezes.
Muito hymneiro este infeliz archiduque!
E a proposito d'aquelles dois jantares de gala diz Maximiliano que, não obstante a parcimonia habitual da côrte, a mesa era esplendida, e a cosinha primorosa; que, a ter que queixar-se de alguma coisa, seria da abundancia dos pratos.
Se não se houvessem esquecido do hymno austriaco, Maximiliano, apesar de declarar-se abstemio, ter-se-ia levantado da mesa trauteando mentalmente o antigo vaudeville:
Et la frouchette de Camus
Est le sceptre du monde.
Foi pena!
V
Maximiliano viu o cemiterio dos Prazeres, e pareceu-lhe uma imitação do Père Lachaise.