De todos as mulheres de Henrique VIII foi Joanna seguramente a mais estimada. Encontram-se de accordo n'este ponto os historiadores. Mas a razão está decerto, attenta a volubilidade do rei, em que elle não teve tempo para se enfastiar.
Assim foi que Joanna Seymour logrou morrer rainha, como observa Cobbett, e na sua cama, felicidade que outras esposas de Henrique VIII não gosaram.
Mas o rei, apesar do grande sentimento que lhe causára a morte de Joanna Seymour, pensou logo em casar.
Deitou primeiro as suas vistas para a duqueza viuva de Longueville, filha do duque de Guise. Mandou pedil-a a Francisco I. A resposta foi que a duqueza estava já promettida ao rei da Escocia. Henrique VIII ficou desesperado, e enviou a França um emissario para o informar da impressão que a duqueza produzia. O emissario disse que era bonita e gorda. Esta ultima informação coroou a primeira, porque o rei, que estava então muito nutrido, preferia uma esposa de gordura condigna á sua.
Francisco I, posto reconhecesse que a alliança da Inglaterra lhe seria mais proveitosa do que a da Escocia, manteve a sua palavra, mas offereceu a Henrique VIII, para lhe calmar o animo, Maria de Bourbon, filha do duque de Vendome.
Henrique VIII, sabendo, porém, que o rei Jacques da Escocia, seu sobrinho, havia recusado Maria de Bourbon, rejeitou a proposta.
Então Francisco I offereceu-lhe qualquer das duas irmãs mais novas da duqueza de Longueville.
Henrique VIII respondeu pedindo a Francisco I uma entrevista em Calais, e indicando-lhe que se fizesse acompanhar das duas princezinhas de Guise e de todas as mais bellas mulheres da côrte de França, para elle escolher.
Queria um bazar de mulheres, uma feira de noivas!
Francisco I não obtemperou ao pedido. Picou-se, como dizem os francezes, fosse que lhe repugnasse o papel de alcaiote officioso ou que, sendo elle proprio galanteador do bello sexo, lhe desagradasse a idéa de expôr mulheres comme des chevaux au marché.