O processo subiu concluso perante o rei em Relação com os do seu Conselho e Desembargo, sendo proferida sentença condemnatoria a dez de junho de 1485, dada na villa de Portel:
«... condemnamos, e mandamos onde quer que fôr achado, e tomado, e comprehendido dentro em estes Reinos, e seus Senhorios, e em qualquer Cidade, Villa, ou Lugar d'elles, logo morra cruel morte natural, e seja esquartejado, e seus quartos de seu corpo sejam postos nas portas da Cidade, Villa, ou Lugar onde fôr preso, e a sua cabeça seja posta no Pelourinho: e isto sem elle mais ser ouvido, nem requerido, visto como este maleficio é claro, e notorio, e que elle principalmente e primeiro o commetteu, tratou, conspirou a dita maldade, e traição: e havemos todos seus bens moveis, e de raiz, e assim os da Corôa do Reino, se os trazia, e os patrimoniaes, e declaramos por confiscados e applicados á Corôa Real d'estes nossos reinos, a que direitamente pertencem.»
Dois annos depois, ainda Fernão da Silveira estava em Castella, protegido pelos reis catholicos, que se recusavam a entregal-o a D. João II.
Em 1487, n'um conselho realisado em Santarem, ventilou-se a questão de assentar no destino a dar ás mulheres dos conspiradores, sobre as quaes recahiam suspeitas de estarem em intelligencia com os maridos.
Os drs. Fernão Rodrigues e Nuno Gonçalves foram de parecer que deviam ser enviadas com os filhos aos maridos, não só para não peccarem com outros, mas tambem porque não deviam pagar pelas culpas d'elles. E ainda porque os filhos dos conspiradores constituiriam um foco permanente de conspiração pelo desejo que teriam de vingar os pais.
Ao dr. João Teixeira, chanceller-mór, pareceu melhor não renovar a lembrança de factos que o tempo ia esquecendo. Que, mais aquietadas as paixões politicas, bem podiam os filhos dos conspiradores ser leaes servidores d'el-rei.
Por isso entendia que se deixassem sahir com seus filhos e haveres as que quizessem ir reunir-se aos maridos; mas que não fossem obrigadas a fazel-o todas, indistinctamente.
Os restantes membros do conselho concordaram com este alvitre. O rei tambem concordou.
Então Ruy de Sousa disse saber que a mulher de Fernão da Silveira folgaria de ir para o marido.
Ora um documento da época, que suppomos inedito, diz qual foi a resposta de D. Brites de Sousa: