—Quero amenizar-lhe esta passagem repentina da vida em que foi creado para outra vida completamente nova. Depois, abrindo-se as aulas, é que eu não quero que elle passeie. Já lhe disse que, em chegando outubro, era preciso estudar como um homem.

—E elle que respondeu?

—Deu mostras de querer desempenhar cabalmente. Mas não comeces tu depois a opprimil-o demasiadamente com as tuas asperezas. Olha que o espirito, cansado do estudo, precisa d’um refrigerio.

—Livremol-o de relações estreitas com estudantes, que são, por via de regra, rapazes que vivem em liberdade pouco digna.

—Eis ahi por que me parecia que um namorito...

—Vocês, as mulheres, ligam-se tamanha importancia, que julgam que o render-vos preito é a suprema salvação de qualquer. O rapazinho se começar a desmandar-se torna pelo mesmo caminho por onde veiu. Tu sabes que eu não sou muito para graças. Este anno ha de acabar os preparatorios e para o anno ha de cursar o Seminario. Isto é se quizer; se não quizer, que volte para a companhia do pae.

—Mas tambem que proposito é esse de assentar com tamanha antecipação o destino do rapaz? Estás dominado do espirito religioso de Braga e achas que ser padre é caminhar proveitosamente pela estrada social em direcção ao Céo! Não sei como te não ordenaste?

—Temos em mim um exemplo da efficacia dos namoritos. Meu pae queria me ordenar, porque era meu amigo. Vi-te, comecei a desorientar me e casei...

—Olha que perdeste muito! Estavas agora arcebispo, pelo menos, se obtivesses absolvição, para os teus burguezes devaneios com a costureira do terceiro andar.

E como D. Maria d’Assumpção caminhasse para a porta da saleta, chamou a o marido com a brandura de quem deseja reconciliar-se: