—Reflexiona, homem de Deus, reflexiona.
—Mas que destino queres tu que se dê ao rapaz? Pensas que temos dinheiro para o mandar a Coimbra? Olha que um patrimonio fica em conta, mas uma formatura compra-se a peso d’ouro. E demais a mais fica-nos aqui debaixo da vista, e pouco será o que houvermos de gastar em livros. Está decidido. Amanhã vae matricular-se no Seminario.
XVII
Estamos em novembro de 1852.
Na alameda da Mãe d’Agua respira-se no ar balsamico a suavidade d’uma primavera perpétua.
Após dias de cerrada invernia, mostra se no formoso céo do norte este sol esplendido de Portugal, que é a delicia de nacionaes e extrangeiros.
Esperava-se por um dia alegre e sereno para remoçar o espirito, cansado da monotonia da chuva.
D. Maria d’Assumpção tinha falado n’um passeio ao Bom Jesus logo que o tempo estiasse; as meninas Machados receberam, por escripto, participação do alvitre e applaudiram-n’o sobremodo.
Lampejaram n’um domingo clarões de formosissima aurora; deu-se rebate e preparou-se alegremente o rancho.